ALTERNATIVAS DE MOBILIDADE

Com as diferentes alternativas de mobilidade é possível reduzir o congestionamento urbano, o consumo de combustível assim como as emissões de poluentes associadas. As opções podem ser várias: desde a utilização de transportes públicos à gestão da mobilidade dentro das empresas com recurso às novas formas de trabalho como o teletrabalho, ou através do recurso aos modos de mobilidade partilhada. Já existem várias plataformas de carpooling (partilha de viagens) e serviços de carsharing (aluguer de viaturas, incluindo elétricas) disponíveis, os quais têm cada vez mais utilizadores e são boas opções para utilizadores individuais e empresas, com vantagens claras ao nível da poupança de tempo e custos13.

De acordo com diversos autores, e de forma resumida, existem sete fatores que podem ajudar a manter as deslocações dentro de uma cidade limpas e eficientes. Comecemos pelos carros de uso privado, nos quais quatro grandes tendências estão a convergir: conetividade no veículo, eletrificação, carsharing e condução autónoma. Estas são visões, no mínimo, entusiasmantes, mas tudo dependerá da sua implantação e penetração nas cidades, não resolvendo, por si só, as questões da saúde, do ambiente e congestionamento e podendo mesmo acentuar os problemas existentes.

O transporte público tem sido acarinhado com inúmeros investimentos como uma forma de melhorar a mobilidade e também da sua expansão. Como exemplo pode ver-se a cidade de Helsínquia, que tem um ambicioso programa de mobilidade cujo objetivo é tornar o transporte individual totalmente desnecessário até 20251.Walking (andar a pé) e Cycling (andar de bicicleta) é a melhor forma de atingirmos cidades cuja autenticidade passa pelos seus sons característicos. Esforços para reduzir e restringir o acesso dos carros particulares às cidades garantem ruas mais atraentes e democráticas, algo onde Portugal também já se estreou1.

PARA CIDADES E COMUNIDADES SUSTENTÁVEIS

As cidades da Europa enfrentam cada vez mais problemas causados pelos transportes e pelo tráfego. Ao mesmo tempo, a mobilidade urbana é vital para estas cidades e é um contribuinte importante para o crescimento económico, para o emprego e para a competitividade. A questão de como melhorar a mobilidade e ao mesmo tempo reduzir o congestionamento, os acidentes e a poluição do ar e sonora é um desafio comum a todas as grandes cidades14

Atualmente, a adoção de um “novo” modelo de mobilidade urbana é imperativa no sentido de criar melhorias nas condições de deslocação dos cidadãos, quer na facilidade de acessos e mobilidade, quer ao nível da melhoria da qualidade ambiental e de vida da comunidade15

As alternativas mais sustentáveis passam pela adoção de uma mobilidade suave – andar a pé ou de bicicleta, ou, não sendo possível fazer todo o percurso por este meio, recorrer a transportes públicos, adotando uma mobilidade multimodal. No entanto, o número de pessoas que opta pelo uso da bicicleta regularmente, ou até mesmo que se desloca a pé quando assim é possível, está longe de ser o ideal para a sustentabilidade das cidades. Não há, hoje, o hábito de recorrer aos modos de deslocação mais simples e económicos. E porque não andam as pessoas mais a pé ou de bicicleta? Será por falta de infraestruturas e de acessos? Por falta de motivação ou de segurança? Ou será que as pessoas ainda não perceberam os benefícios de procurar alternativas mais amigas do ambiente?

Graças a vários exemplos internacionais, podemos perceber como a existência de condições e infraestruturas contribui significativamente para o aumento da adoção das práticas de mobilidade suave15. Para além dos exemplos típicos dos países nórdicos ou da Holanda e Alemanha, cidades como Madrid, Paris, Londres ou, bem mais perto de nós, Pontevedra ou Sevilha têm investido fortemente na devolução da cidade às pessoas através da alteração e criação de novas infraestruturas de mobilidade. Em Portugal, cidades como Lisboa, Cascais ou Loulé são também bons exemplos15.

A implementação de medidas sustentáveis na mobilidade está dependente de iniciativas referentes à melhoria do serviço do transporte público coletivo, promoção do modo de mobilidade suave (a pé ou de bicicleta) e através da construção de infraestruturas adequadas a este modo de deslocação. É importante reconhecer, no entanto, que investir na mobilidade se trata de um investimento a longo prazo cujas vantagens vão desde o aumento da qualidade de vida da população à ajuda no desenvolvimento da região15.

PARA UMA SAÚDE DE QUALIDADE

Para garantir o cumprimento da legislação europeia e evitar os inevitáveis custos para a saúde com a poluição do ar e sonora, várias cidades europeias já anunciaram restrições à circulação de veículos a gasóleo ou gasolina, mais antigos e mais poluentes, e, a partir de 2025, existem planos de alargar a proibição a todos os veículos. Entre estas cidades, estão algumas capitais europeias, como Paris, Madrid, Atenas, Berlim, Oslo e Copenhaga13

Só em Portugal, a poluição atmosférica causou a morte prematura de mais de seis mil pessoas, em 2016. Na Europa, e segundo a Agência Europeia do Ambiente (AEA), esse número terá sido de 412 mil. Mais recentemente, um estudo do Instituto de Química Max Planck, em 2019, estimava o número de mortes por exposição à poluição atmosférica na Europa em 800 mil, o dobro do calculado pela AEA12. A poluição sonora é igualmente relevante para que mais pessoas possam aderir a uma mobilidade mais sustentável dentro das cidades. Em Lisboa, por exemplo, o incómodo do ruído surge desde há vários anos em inquéritos públicos e de resto são vários os estudos que demonstram o impacto positivo da redução de ruído no ecossistema da cidade, com melhorias no bem-estar físico e mental dos cidadãos.

Para além dos evidentes benefícios ambientais da mobilidade suave e ativa (porque não emitem ruído ou poluentes para a atmosfera), a Organização Mundial da Saúde recomenda que se dê prioridade a estes modos. Combinados com o transporte público, trazem benefícios para a saúde, reduzindo as mortes causadas por doenças relacionadas com a inatividade física, pela poluição atmosférica, e tornando as cidades mais seguras reduzindo o número de acidentes13. Para além da redução do trânsito e estacionamento automóvel, os transportes coletivos são um meio mais económico, seguro e sustentável para as deslocações urbanas. Se tiver mesmo de comprar um veículo, existem várias opções possíveis: os híbridos (convencionais e plug-in) e 100% elétricos13.

Os carros elétricos podem emitir menos quatro decibéis do que os carros convencionais e se amanhã todos os portugueses conduzissem elétricos, o ruído diminuiria drasticamente, o que daria resposta a um problema que, pelo menos até ao início da pandemia e à paragem da economia, representava uma preocupação maioritária. 

A mobilidade apresenta alguns sinais concretos de uma mudança em curso, nas políticas de transportes, na estratégia comercial de marcas e empresas, nas práticas diárias e nas opções dos cidadãos, com vista a uma melhor qualidade de vida.


1 – Mobilidade, muito mais que uma necessidade básica

12 – Mobilidade: Depois da Pandemia, a Quem Pertence a Cidade?

13 – Mobilidade Sustentável nas Cidades: Como Monitorizar e Porquê?

14 – O Papel das Cidades na Transição para uma Mobilidade Zero-Emissões

15 – Mobilidade Urbana Europeia – Contexto da Política (CE)